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Bia Willcox

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Amores Cariocas

Educação e tecnologia

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Era uma vez uma sala de aula sem professor de carne e osso.

Nela, um super telão digital interativo com touchscreen e voz.

Alunos perguntam e respondem. 

Ouvem e repetem.

Pensam e guardam pra si.

De repente vão para plataforma fazer exercícios que são corrigidos por lá mesmo. O aluno vê o que errou em tempo recorde e isso é bom, mas nem sempre as vozes digitais são convincentes a lhe explicar seus erros.

As salas são vigiadas por câmeras. Nada escapa aos olhos da diretora da escola. Tudo filmado e registrado.

E chegou a hora da Geografia.

 Coloquem seus óculos de realidade virtual, diz a máquina, e vamos passear pelos diferentes habitats da terra observando o comportamento dos animais.

Ponto.

Começou o passeio visual de outro mundo.

A máquina não comentou em tempo real (era tudo gravado, ou melhor, on demand),  nao comparou comportamentos que já não estivessem previstos no texto programado nem questionou nada.

E assim os alunos observaram em seus óculos de realidade virtual as belas e vivas imagens do planeta Terra. 

De repente, foram avisados que era hora do intervalo e queriam aproveitar para  falar do comportamento interessante dos penguins mas não tinham muito com quem trocar. Nao havia um interlocutor diferente deles. Somente seus celulares, uma rádio programada da escola tocando uma playlist escolhida a dedo pelo diretor e totens com internet de acesso restrito. Liberdade, mas com restrições.

procuraram a persona da escola (um robô com aparência de gente numa tela enorme) para tentar interagir e falar sobre a fidelidade curiosa dos pinguins, da aula de Geografis, mas o robô não conseguiu  provocá-los, fazê-los pensar. Instigá-los.

O robô somente repetia: “existem 17 espécies diferentes de pinguim”. Nem conversar com pessoas sabidas no whatsapp eles podiam durante as horas escolares.

E lá foram os alunos pro seu recreio, cheio de telas, links e hiperlinks  tentar  pensar sozinhos sobre o comportamento do penguim. 

Pra finalizar o dia, tiveram aula de História. E ela se resumia a uma lindíssima linha do tempo em 3D.

O que eles tinham que fazer? Entender a cronologia, memorizar as datas e os personagens. Parece pouco?

Mas era muito. Eram imagens que vinham no telão enquanto os alunos deslizavam o dedo nos meses e anos da linha do tempo digital. Parecia um cinema 3D com fortes emoções. 

Mas não havia nenhuma opinião.

Cadê o comentario que nos abre a cabeça? Cadê a piada às vezes na hora errada do professor engraçadinho? Cade a pergunta pro aluno distraido? Cadê a paixão do processor de História ao falar do periodo Iluminista? Cadê o olhar pro aluno que nao está bem naquele dia? Cadê a bronca diária?

O robô ainda nao sabe e talvez nunca saiba fazer essas coisas.

E não há aprendizado sem humanidade, sem interação e sem paixão.

Por isso, por mais que a educação aponte para um futuro de tecnologia e magia, a verdadeira mágica está na alma humana e no professor de verdade.

Fica aqui registrada a minha saudade da sala de aula impregnada de humanidade, carinho, amor e troca entre alunos e professores.

Mesmo sendo uma fã da tecnologia e do quanto ela pode fazer pelos alunos e pela sociedade, nunca haverá educação no melhor e mais amplo sentido, sem a presença do professor.

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