TRANSPORTE
NO RIO

Metrô Bom
Navio Bom
Trem Bom
Avião Bom
Ex-procurador-geral de Justiça do Rio, Cláudio Lopes é preso - Editoriais - Band News FM

Justiça

Texto:
+
-

Ex-procurador-geral de Justiça do Rio, Cláudio Lopes é preso

Por Christiano Pinho e Natália Rodrigues, às 09/11/2018 - 07:56

Ele foi denunciado, em outubro, pelo Ministério Público do Rio por formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa, e quebra de sigilo

Os crimes teriam sido cometidos entre o final de 2008 e dezembro de 2012 (Foto: Reprodução)

O ex-procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Cláudio Lopes, fazia visitas mensais aos palácios Guanabara e Laranjeiras, na Zona Sul, para receber a "mesada" de R$ 150 mil paga pelo ex-governador Sérgio Cabral.

Alvo de uma investigação do Ministério Público, Lopes foi preso nesta quinta-feira (08) em casa, na Zona Oeste do Rio. Por determinação da Justiça Federal o ex-procurador-geral vai ficar preso no antigo Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar, em Niterói, na Região Metropolitana, em uma cela especial sem grades, chamada de sala do Estado Maior.

O MP denunciou também o ex-secretário de Governo, Wilson Carlos, e Sérgio de Castro Oliveira, conhecido como Serjão. Segundo a denúncia do MP, em 2008, Cláudio Lopes recebeu R$ 300 mil de Wilson Carlos por ordem do então governador Sérgio Cabral.

A propina era usada para "blindar" a organização chefiada por Cabral. Na época, Lopes estava entre os indicados a assumir Procuradoria-Geral de Justiça. A partir daí o ex-procurador começou a participar da quadrilha.

Em março de 2009, Lopes passou a receber mensalmente a mesada, que durou até dezembro de 2012, quando terminou o segundo mandato do como procurador-geral de Justiça.

A quantia era cuidadosamente separada por Carlos Miranda em maços de R$ 10 mil, com notas de R$ 100 ou R$ 50, acondicionados em envelopes azuis e pardos. O dinheiro inicialmente era entregue no Palácio Guanabara e, em um segundo momento, para não chamar atenção, a entrega era feita no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador.

Em depoimento, o motorista do ex-procurador-geral de Justiça, Luís Cláudio Martins, afirmou que as visitas ao Palácio Laranjeiras e Palácio Guanabara duravam cerca de 15 minutos. Para o MP, o período é absolutamente compatível com quem apenas se encontra para entregar e receber propina e não para tratar de assuntos institucionais.

De acordo com Ministério Público, Lopes recebeu em torno de R$ 7 milhões. Durante a gestão, investigações importantes ligadas ao ex-governador não foram adiante. O ex-subsecretário de Saúde, Cesar Romero, apontou Lopes como o responsável por vazar a investigação do MP contra o ex-secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes, em 2010. 

Além disso, Cláudio Lopes, interferiu indevidamente na contratação de uma empresa pelo Consórcio Maracanã, formado pelas empreiteiras Construtora Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta. O acusado, ajudou na celebração de um contrato milionário entre Prosegur/Setha e Consórcio Maracanã, que beneficiou Vitor Patrão Manhães, que é casado com uma prima da esposa dele.

O MP constatou também que Lopes nomeou para um cargo em comissão, Guilherme Patrão Manhães, irmão de Vitor Patrão Manhães, que trabalhou na estrutura do MPRJ durante os dois mandatos de Cláudio como chefe da instituição.

Por determinação, Lopes não pode atuar na 6ª Câmara Criminal e nem como membro do Conselho Superior do Ministério Público por 60 dias. A justiça determinou também o bloqueio dos bens do ex-procurador-geral, mas continua a receber salário líquido de R$ 26 mil, com direito a auxílio-moradia.

MAIS DA OPERAÇÃO FURNA DA ONÇA

Já com a deflagração da Operação Furna da Onça, mudanças foram promovidas no Palácio Guanabara. O governador Luiz Fernando Pezão aceitou o pedido de exoneração do secretário de Governo, Affonso Monnerat, que foi preso temporariamente na ação desta quinta-feira (8).

Também foi determinado que sejam exonerados os demais servidores presos, Carla Adriana Pereira, diretora de Registros do Detran; Shirley Aparecida Martins da Silva, subsecretária de programas sociais da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social; e o presidente do Detran, Leonardo Jacob.

Entre os presos, estão André Correa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Luiz Martins (PDT), Marcus Vinicius "Neskau" (PTB), Marcos Abrahão (Avante), Coronel Jairo (MDB), e Marcelo Simão (PP). Apenas Coronel Jairo e Marcelo Simão não foram reeleitos. A indicação de cargos em órgãos públicos também era usada como moeda de troca no esquema.

Só no Detran, foram mais de 100 indicações. O secretário de Governo, Affonso Monnerat; o presidente do Detran, Leonardo Jacob; e o antecessor dele, Vinícius Farah, eleito deputado federal pelo MDB, também foram presos.

A PF cumpriu três mandados de prisão preventiva contra a cúpula da Assembleia, que já cumpria pena no âmbito da Operação Cadeia Velha: o ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani, que segue preso em casa para o tratamento de um câncer; e os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi.

Além da Alerj, foram cumpridos mandados de busca e apreensão também no Palácio Guanabara, sede do Governo fluminense. Parlamentares repercutiram as prisões em sessão plenária realizada nesta quinta-feira (8). O substituto de Chiquinho da Mangueira na corregedoria da Casa, Iranildo Campos (SDD), disse que é preciso ter cautela nas denúncias.

O presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), afirmou que vai respeitar a decisão judicial. Já Flávio Serafini (PSOL) disse que as investigações precisam ser aprofundadas para barrar o esquema de corrupção. Por meio de nota, o PSL - que apoiava André Correa na disputa pela presidência da Assembleia - informou que não descarta a possibilidade de lançar candidatura própria. O Ministério Público Federal estima que, pelo menos, R$ 54,5 milhões tenham sido distribuídos em propina entre os deputados.

O valor foi monitorado com base em um sistema entregue pelos doleiros da organização criminosa ao MPF, mas a Receita Federal acredita que os números podem ser ainda maiores.

NEWSLETTER
OU